Crioterapia para triatletas e corredores

A fadiga muscular é um fenômeno frequente na rotina de treinamentos e competições de alguns atletas sejam eles amadores ou profissionais. Essa fadiga é um prejuízo que pode ser transitório, durando minutos ou horas após o exercício, ou ter duração de longos períodos.

Os problemas que podemos ter à curta duração resultam nos distúrbios metabólicos ocorridos após o exercício de alta intensidade. Já os resultados de longa duração podem estar relacionados a lesão tecidual causada pelo exercício e ao fenômeno conhecido como dor muscular tardia. Existem várias técnicas terapêuticas, difundidas no meio desportivo, com a finalidade de acelerar o processo de recuperação muscular após os exercícios. Podemos citar, por exemplo, recuperação ativa, crioterapia, massagem, hidroterapia, alongamento, medicação anti-infamatória, eletroestimulação, entre outras.

A crioterapia, é definida como a utilização de aplicações de gelo ou frio com propósitos terapêuticos, amplamente difundida entre os atletas de elite e amadores. Na prática desportiva, a crioterapia de imersão consiste na colocação de determinada quantidade de gelo em uma piscina associado à água (normalmente com temperatura inferior a 15º C), onde os atletas mergulham até a cintura por um tempo variável. Embora largamente utilizada na prática desportiva, a efetividade da crioterapia para fins de recuperação muscular pós-exercício ainda carece de evidências científcas.

Alguns estudos envolvendo crioterapia de imersão já utilizaram desde 10 até 193 minutos, com temperaturas variando de 1º C a 15º C.O banho de imersão provoca um efeito vasoconstritor, diminuindo o inchaço (edema), o metabolismo local e o impulso nervoso (que realiza e coordena a contração muscular e a sensibilidade), com isso ocorre à diminuição da dor.

A técnica de banho de gelo, ou o de imersão, começou no esporte a algum certo tempo. A primeira modalidade a usar foi o atletismo e atualmente essa técnica já foi popularizada. Hoje em dia a técnica de banho de imersão já é utilizada por vários atletas e em diferentes esportes. O banho de imersão em água com gelo é muito utilizado em provas de Fast Triathlon, onde ao término de cada bateria, o atleta dirige se à banheira e fica imerso em água com gelo. Alguns maratonistas profissionais ultilizam após a corrida; o atleta entra até o nível da cintura em um tanque com água e gelo. O banho de imersão recupera as microlesões musculares com muita rapidez, portanto, além de diminuir as dores, o corredor retoma o ritmo com mais facilidade, tem maior disposição para treinar no dia seguinte ou para a próxima prova.

Benefícios

Dentre os resultados podemos citar alguns benefícios como o aumento da amplitude de movimento, diminuição da tensão muscular, relaxamento, analgesia, melhora na circulação, absorção do exsudato inflamatório e debridamento de lesões, bem como o incremento na força e resistência muscular, além de equilíbrio e propriocepção na redução do tônus muscular, quebra o ciclo dor-espasmo-dor e diminui o metabolismo.
A temperatura da água utilizada nos banhos de imersão varia de -1 grau a cinco graus.

Utilizamos sempre esta técnica após atividade física, e em um tempo de três a seis minutos. Esse processo deve ser feito por 3 a 6 minutos, uma vez que a área de aplicação do frio é muito grande e há o risco de falta de circulação sanguínea no local. Por isso, mesmo que a imersão não tenha atingido ainda 4 minutos, se o atleta achar que a dor é intensa ou não esteja mais aguentando, interrompa imediatamente o processo.

Mas cuidado.É muito importante levar em consideração que quando aplicada a imersão nos pés, nas pontas dos dedos é possível que aja uma isquemia e que você não sinta a ponta dos seus dedos, além de diminuir também, a circulação de sangue local. Isso porque temos poucas terminações nervosas nessas partes do corpo.

A crioterapia não deve ser usada quando há ferida aberta ou até mesmo em pessoas que possuam algum tipo de lesão nervosa, pois à uma grande diminuição da sensibilidade. Também deverá ser evitada em casos de: infecções de pele e gastrointestinais, sintomas agudos de trombose venosa profunda, ocorrência de doença sistêmica, em casos de tratamento radioterápico em andamento, para portadores de micoses e fungos, dentre outros.

A dor muscular tardia (dor após o exercício físico) é causada pela reorganização muscular, ou seja, o processo de cicatrização após microlesões das fibras musculares  causadas pelo esforço físico. Essas microlesões também ocorrem nas atividades do dia-a-dia, mas em proporções muito menores, por isso não causam dor.

Há quem defenda que esta dor muscular responde muito bem com a terapia de calor, mas outros condenam, dizendo que, ao aplicar calor após a atividade física, o processo inflamatório, causado pelas microlesões musculares, aumenta. A dor poderia até  melhorar no momento, mas o quadro pode piorar posteriormente. Portanto, mesmo que depois da prova o cansaço peça um bom banho quente, espere o corpo esfriar e opte por um banho frio.

Alguns especialistas condenam o banho de imersão, alegando que não há nenhuma evidência científica que comprove a eficácia deste procedimento. Afirmam que a reorganização muscular é necessária para a adaptação ao condicionamento físico e para o desenvolvimento da resistência e da força muscular; portanto, interromper este processo com o uso do gelo não seria adequado.

Pelo mesmo motivo da indicação para a dor muscular tardia, acredita-se que compressas de gelo ou banho de imersão praticado com freqüência após a prática esportiva previnem lesões musculares causadas por intensa atividade. A rápida recuperação das microlesões prepara a musculatura, ligamentos e tendões para esforços posteriores.

COMO APLICAR O BANHO DE IMERSÃO?

  • Após atividade física INTENSA, mergulhar as pernas em um tanque com água gelada (durante 6 minutos no máximo).
  • Sempre se deve ter uma pessoa responsável e com conhecimento sobre a técnica para poder orientar melhor o atleta em questão.

Com isso observamos que o banho de imersão ajuda e muito os atletas amadores ou profissionais, sabe se que se tem uma resposta positiva dos atletas e uma melhora significativa, contudo acredito que devamos pesquisar mais sobre o assunto para conseguirmos ter respostas mais objetivas.

Alejandro Ormeño – Coordenador e Técnico do Treinamento Funcional da academia Mobidick e coordenador e Técnico da Sulgiro Assessoria Esportiva.

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